A potência da Geração Z

Desde a intimidade com a tecnologia até a evidência da desigualdade. Tudo o que ‘os 20 e poucos anos’ preparam para o mercado, política e sociedade.

Bárbara, 22 anos, paulistana, mãe e empreende revendendo cosméticos no instagram. Vive em função do filho e de sua enteada, independente emocionalmente, sonha em modelar para grandes campanhas. O que poucos notam, é a relutância da família religiosa que não engole a sua maternidade precoce e muito menos aceita seu sonho ousado. Sua maior inspiração é a sua meia irmã mais velha, que mora fora e está sempre enviando presentes e aquele ‘dinheiro extra’ quando a situação aperta.

Rafael, 26 anos, carioca que mora sozinho há 5 anos em Juiz de Fora. Empregado há 3 anos e há um ano na mesma empresa de publicidade, toda sua renda é para curtição e viagens. Filho único, seus pais ainda sentem a responsabilidade de bancar os gastos básicos e por mais que ele insista na sua independência financeira, não reluta muito. Muito adepto da leitura e da música está sempre compartilhando novas indicações nas redes sociais, o típico “colírio capricho” de 2010 que era promoter das matinês cariocas.

Mariana, 19 anos, estudante universitária está sempre procurando um novo estágio, sonha com seu sucesso profissional, e tem uma tendência workaholic. Mora com os pais, é o orgulho da família e o terror dos primos. Já sabem né?! “Você devia ser mais como a Mariana”. Só pensa em quando vai poder sair de casa para ter mais tempo para os seus projetos e dar continuidade exclusiva a sua carreira, sem se preocupar com as brigas de família. Mas seu objetivo principal ainda não é esse, no momento está planejando seu primeiro intercâmbio e já assume que vai morar fora do país.

Inácio, 23 anos, interiorano paulista, largou a faculdade de zootecnia para voltar a cuidar do negócio da família: A roça. A sua diversão dos finais de semana é ir para pequena cidade, se exibindo na sua moto, tocando um violão e bebendo nas rodas de amigos. Seu maior sonho está em constituir uma família: a mulher e dois filhos. Mas ele não tem pressa, sabe que isso vai acontecer sem se esforçar muito, por enquanto guarda suas economias para comercializar gado pelas estradas do interior.

Talvez você já tenha notado a referência, mas se não, basta saber que não importa quantas vezes esse texto for reescrito, haverá uma infinidade de personagens reais para serem citados quando o assunto é a geração Z. Isso porque essa geração cresceu em um ambiente inóspito, independente de condição social, não havia segurança em relação ao futuro, o que a torna imprevisível, indefinida e totalmente mutável e adaptável.

Uma coisa é fato, por mais que houvesse a admiração familiar, o sonho grande não estava em casa. Inclusive, um outro conceito revolucionado nessa geração, foi o de família, assim como o de relacionamento, o de sucesso financeiro, o de fama, o de profissão. Todas antes definidas, por um casamento, por um padrão de rotina, por estabilidade, por diploma, por eles, saem da margem do tradicional.

Nesta geração encontramos o cara que pede Ifood todos os dias e o entregador do delivery, a mãe de família e a estudante gringa. E isso não significa que não estejam todos realizados com suas situações atuais, na verdade, muito pelo contrário. Mas uma coisa eles têm em comum: a limiar entre a carreira e a vida pessoal é muito tênue e cada vez mais faz parte da ambição dessa geração ter esses dois universos cada vez mais próximos. 

E o que isso nos diz sobre política, e mercado? Absolutamente tudo!

São eles os novos compradores, a idade ativa do PIB, em breve a maior parte do eleitorado. A análise do mercado é vista em uma tendência parecida com a da própria geração. Um mercado disruptivo, criativo, que busca inovações, adaptável, acostumada com a individualidade e com a tecnologia, não à toa, foi a geração que mais se deu bem com a pandemia e com as atividades remotas, (salve poucas exceções), e estimulados, sempre, pelo alto nível de competitividade. Porém não significa que toda a geração tem lugar para esse mercado.

A percepção sociológica que mais assusta é que essa geração é vítima da desigualdade e a que mais reflete no mercado de trabalho. Assim podemos entender movimentos que crescem cada vez mais. Como a “uberização” do trabalho, promovendo o trabalho intermitente, a exploração e o subemprego. Da mesma forma nos deparamos com os chamados “NEM NEM”, a turma que ‘nem’ estuda e ‘nem’ trabalha. E aqui está o principal motivo pelo qual o FaçaAgora! se interessou em escrever sobre esse assunto.

Promovendo desenvolvimento de carreira e profissional, atuando principalmente com essa geração, temos a consciência de criar cada vez mais pontos de contato entre essa juventude e esse mercado que tanto se parecem. Basicamente é o que nos estimula a ‘provocar pessoas e organizações a FAZEREM DIFERENTE’

Rodando pelo blog você consegue encontrar temas mais que atuais para não ficar deslocado nesse ecossistema.

Bora Executar?!

Recommended Posts